Na cidade onde moro, e onde sempre morei, é sobretudo longe de São Paulo. Longe, eu digo, metaforicamente, a cidade faz parte da megalópole, e, portanto, fica a sombra da sobrerana São Paulo.
Para ir até a Paulista, precisa pegar dois ônibus, ou tomar coragem e andar parte do trajeto, mas não demora mais do que uma hora para ir ou voltar, contando com o trânsito caótico, uma hora não é nada, tem quem more em São Paulo e demora mais do que eu para estar em casa.
Conheci muita gente nesses três meses que eu pego o Paraíso, o Aclimação ou (o meu favorito) Ana Rosa. Cresci mais em três meses do que nos desessete anos que eu vivo, e falei com mais gente, aprendi muito mais coisas que o cursinho poderia me ensinar.
Pessoas que passaram por mim só para me dar oi. Pessoas que pouca importância tiveram, que muito se diferenciaram de mim, e para não perder a pose, fiz que desapareci. Outras, paulatinamente, entram na minha vida, são pessoas adoráveis, que eu faço questão que fiquem por mais alguns anos, que continuem me mostrando o fascinante mundo lá fora. E, claro, e teve uma pessoa, como um trovão, veio e se foi, mas me muito me ensinou.
Não me estenderei sobre as pessoas. Nem sobre o que eu aprendi e o que eu aprendo, só quero dizer que sair da pequena cidade, sair da saia dos meus pais, me fez ver o mundo de maneira diferente. Sair do meio que eu sempre estive me abriu portas, mil portas. Aprendi ser mais uma passageira, passear e descobrir a cidade ao redor, conhecer gente, falar e poder dizer a que eu estou. A coisa mais difícil foi dizer sim, eu quero estudar na Paulista.